Funcionários da rede pública de saúde do Distrito Federal, que prestaram assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto ele estava detido no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, relatam que ainda não receberam pelos serviços realizados entre janeiro e março. Conforme os relatos, os pagamentos começaram a atrasar em fevereiro, quando deveria ter ocorrido o primeiro repasse. Essas informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.

A assistência foi prestada por médicos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), convocados para realizar escalas extras na modalidade de Trabalho por Período Definido (TPD). Essa decisão foi tomada após uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a necessidade de acompanhamento médico contínuo ao ex-presidente durante seu tempo na prisão.

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Michelle e Jair Bolsonaro em abril de 2025Reprodução: Instagram/@michellebolsonaro
Jair Bolsonaro recebe alta médica e segue em prisão domiciliar de 90 diasReprodução: Instagram/@michellebolsonaro
Jair Messias Bolsonaro internadoReprodução: X/@FlavioBolsonaro
Carlos Bolsonaro publica foto antiga do pai no hospitalReprodução: Instagram/@carlosbolsonaro
Carlos Bolsonaro publica foto antiga do pai no hospitalReprodução: Instagram/@carlosbolsonaro
Jair BolsonaroReprodução: Instagram

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A modalidade TPD é um recurso utilizado pela secretaria para reforçar as equipes em situações específicas, permitindo que servidores assumam turnos adicionais além da carga horária habitual. Em contrapartida, eles recebem pagamento pelas horas extras trabalhadas.

Dentre os médicos envolvidos na assistência está um servidor que preferiu permanecer anônimo. Ele relata ter cumprido oito plantões, incluindo turnos noturnos e fins de semana, com duração variando entre 12 e 24 horas. Segundo esse profissional, o valor total a ser recebido ultrapassa R$ 15 mil.

A equipe jornalística entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal para obter esclarecimentos sobre as queixas dos profissionais, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Cabe mencionar que um dos médicos explicou a situação da seguinte forma: “Nos informaram que os plantões seriam na modalidade TPD, mas nesse caso precisamos registrar presença na SES. A obrigatoriedade era entrar no sistema para validar nossa presença. No entanto, no Batalhão isso não era possível, pois apenas assinávamos um caderno para registrar nossa passagem enquanto atendíamos o ex-presidente”, contou o médico.

No recebimento dos contracheques referentes a fevereiro, os profissionais notaram que seus plantões não haviam sido contabilizados. Após isso, foram orientados pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP) a formalizar os documentos necessários através do Sistema Eletrônico de Informações (SEI).

A documentação solicitada foi enviada conforme as instruções recebidas. Contudo, os pagamentos ainda não têm previsão para serem realizados. Os médicos relatam que estão há meses aguardando a regularização dos valores mesmo tendo cumprido integralmente suas escalas.

Segundo informações fornecidas pelos servidores, a própria secretaria admitiu posteriormente ter havido falhas administrativas no processo. Um dos profissionais questionou essa justificativa e afirmou: “Não somos responsáveis pelo erro. Fomos trabalhar porque nos disseram que seriam pagos como TPD; se fosse apenas por banco de horas, ninguém teria aceitado. Eles nunca mencionaram nada sobre isso antes”, declarou o médico.

A atuação da equipe médica chegou a ser citada em uma decisão judicial proferida por Alexandre de Moraes, que descreveu as condições do acompanhamento médico oferecido ao ex-presidente durante sua detenção.

Assistência exclusiva ao ex-presidente

No período em que ficou preso por 57 dias na Papudinha, a única responsabilidade dos profissionais era monitorar a saúde do ex-presidente. Relatos indicam que as consultas eram frequentes e ocorriam em diferentes horários ao longo do dia.

“Atendíamos ele pelo menos três vezes ao dia e até durante a noite enquanto ele dormia. Inclusive caminhávamos com ele para evitar quedas”, revelou um dos médicos. Além da equipe médica, havia também um técnico de enfermagem dando suporte.

A necessidade dos plantões encerrou-se em 26 de março, quando Moraes autorizou a transferência do ex-presidente para prisão domiciliar. Todos os atendimentos foram registrados tanto nos sistemas administrativos quanto em anotações físicas contendo carimbos e evoluções médicas referentes ao paciente.

Ainda assim, mais de quatro meses após o término das atividades relacionadas ao atendimento ao ex-presidente, os profissionais alegam estar esperando o pagamento devido. Caso essa situação persista sem solução imediata, eles consideram buscar medidas judiciais para garantir os valores correspondentes aos plantões realizados.