Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez comentários durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável que geraram reações adversas de entidades ligadas às Polícias Civis e de parlamentares responsáveis pela segurança pública. O centro da controvérsia foi uma declaração do petista ao introduzir uma proposta governamental que visa incentivar a devolução de celulares furtados.
Durante seu discurso, Lula mencionou que muitos cidadãos poderiam se sentir mais confortáveis ao entregar dispositivos de origem ilícita em agências dos Correios em vez de delegacias, citando um temor relacionado ao atendimento nas instituições policiais.
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Lula comentou ainda que está ciente que pessoas mais abastadas não costumam adquirir celulares roubados, mas reconheceu que muitos indivíduos em situação vulnerável podem optar por comprar produtos mais baratos. Ele expressou sua preocupação com a questão econômica relacionada à posse de celulares roubados e afirmou que a iniciativa Telefone Seguro trará tranquilidade a cerca de 200 milhões de brasileiros ao garantir maior segurança nesses dispositivos. O presidente se comprometeu a facilitar a devolução dos aparelhos, destacando que muitos preferem fazê-lo nos Correios por receio do tratamento recebido nas delegacias. “As pessoas têm medo porque não sabem qual é o tipo de delegado ou policial que terão pela frente”, declarou.
A declaração gerou descontentamento entre as organizações representativas da categoria policial. A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (ADEPOL) considerou as afirmações do presidente inapropriadas e ressaltou que elas propagam uma visão distorcida das delegacias e dos profissionais nelas atuantes. Em nota divulgada, a ADEPOL destacou os rigorosos protocolos legais seguidos na apreensão, guarda e análise dos celulares, sob supervisão de órgãos competentes.
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDESP) também se manifestou, enfatizando que tanto delegados quanto policiais civis exercem um papel crucial na investigação criminal, recuperação de bens e proteção da população. A entidade defendeu o respeito às instituições encarregadas da segurança pública. A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (COBRAPOL) também fez uma declaração similar. Embora tenha apoiado iniciativas para combater o comércio ilegal de celulares, a confederação alertou que generalizações sobre a atuação policial podem prejudicar a confiança pública nos profissionais dessa área.
No Congresso Nacional, as palavras do presidente também causaram repercussão. O deputado federal Coronel Alberto Fraga (PL-DF), que lidera a Frente Parlamentar da Segurança Pública, divulgou uma nota criticando as declarações por afetarem negativamente a imagem e credibilidade dos agentes responsáveis pelas investigações criminais no Brasil. Os comentários foram feitos enquanto Lula apresentava uma nova estratégia governamental destinada à diminuição da circulação de celulares roubados, incluindo notificações para dispositivos com registro de furto ou roubo, alertando os possuidores sobre a necessidade de devolução.
