Após mais de nove meses desde a conclusão do remake de “Vale Tudo”, a escritora Manuela Dias abordou uma das principais alterações no enredo em comparação com a versão original, que foi ao ar em 1988: o destino de Odete Roitman. Em uma entrevista concedida à Rádio Metrópole, ela destacou que a decisão de manter a personagem viva simbolizava a continuidade das dinâmicas de poder, celebrando a repercussão em torno da trajetória da vilã.

“Por que decidi não matar Odete? Porque a elite não desaparece. A elite e o poder estabelecido podem se transformar, mas permanecem os mesmos. Isso é semelhante ao que ocorre no capitalismo. Para mim, fez total sentido que Odete permanecesse viva”, declarou Manuela, que também comentou sobre seu objetivo de deixar a narrativa em aberto até o desfecho: “Quis apresentar ao público todas as opções possíveis, mas a elite realmente não morre”.

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No último capítulo de "Vale Tudo", da Globo, Odete Roitman forjou a própria morteCrédito: Reprodução Instagram @tvglobo
No último capítulo de "Vale Tudo", da Globo, Odete Roitman forjou a própria morteCrédito: Reprodução Instagram @tvglobo
Odete Roitman, a vilã de "Vale Tudo", novela da GloboReprodução: Globo
Odete Roitman (Débora Bloch) e Marco Aurélio (Alexandre Nero) em "Vale Tudo"Divulgação/Globo
Manuela Dias na festa de lançamento da novelaDivulgação: Globo
Manuela Dias é a autora do remake de "Vale Tudo"Jorge Bispo/Divulgação

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  • A autora também expressou sua satisfação com o debate gerado pelas mudanças na trama: “Compreendo a inquietação do público diante das alterações. Esta é uma novela tão emblemática que seria impossível isso passar sem gerar controvérsia. Fico feliz que tenha se tornado um tema polêmico, pois o pior é a indiferença. Reclamações não significam descontentamento; na verdade, mostram preocupação. A novela sempre buscou provocar esse tipo de interação. Não faria sentido repetir uma história exatamente igual”.

    Outra modificação que chamou atenção foi a revelação sobre Leonardo, o filho de Odete, que estava vivo e oculto da família. Manuela contou que essa ideia surgiu espontaneamente durante uma noite e foi crucial para o desenvolvimento da narrativa: “Leozinho, filho da Odete… tive essa ideia à noite e percebi que ele não tinha morrido. Isso foi fundamental para alavancar os índices de audiência da novela”.

    Na versão exibida em 2025, Odete Roitman (Débora Bloch) leva um tiro disparado por Marco Aurélio (Alexandre Nero). O público acredita que ela está morta, mas flashbacks no episódio final revelam que a vilã sobreviveu com auxílio de Freitas (Luis Lobianco), foi operada em uma clínica clandestina e fugiu do país em um helicóptero. Na adaptação original de 1988, interpretada por Beatriz Segall, sua personagem é morta acidentalmente por Leila (Cássia Kis).