O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou sua crítica à postura agressiva dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. Em uma entrevista ao jornal espanhol El País, divulgada nesta quinta-feira (16/4), Lula declarou que o mandatário americano “não pode simplesmente acordar e decidir ameaçar um país”, referindo-se às tensões envolvendo Irã, Cuba e Venezuela.

O chefe do Executivo brasileiro enfatizou que, diferentemente de outras nações, o Brasil cumpre a proibição de desenvolver armas nucleares, conforme estipulado na Constituição de 1988. “Os EUA não se desarmaram, assim como a Rússia, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Embora estejamos vulneráveis, meu foco não é em armamentos, mas em investir em educação, alimentação e geração de empregos”, afirmou.

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Presidente LulaCrédito: Reprodução YouTube/Canal Gov
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Lula também comentou sobre sua interação com líderes mundiais. “Já entrei em contato com Xi Jinping [presidente da China], o primeiro-ministro da Índia, Putin [presidente da Rússia], Macron [presidente da França] e outros, pedindo um encontro. Trump não tem o direito de acordar e ameaçar um país; ele não foi eleito para isso. Nem a Constituição americana nem a carta da ONU lhe conferem tal poder”, acrescentou.

Ainda na entrevista, o presidente abordou a necessidade de reformular as Nações Unidas para restaurar sua credibilidade. “É hora de redefinir as Nações Unidas; caso contrário, Trump terá razão ao afirmar que as instituições internacionais falham em cumprir seu papel. Os cinco países no Conselho de Segurança deveriam agir como modelos, mas não o fazem […] Nenhum país deve comprometer a integridade territorial de outro ou desrespeitar sua soberania”, concluiu.

No tocante às pesquisas eleitorais que indicam um empate com Flávio Bolsonaro para as eleições presidenciais deste ano, Lula reafirmou que “o bolsonarismo não retornará ao governo”. Ele observou que nunca venceu uma eleição no primeiro turno e destacou que a polarização aumentou significativamente; a extrema direita está ganhando força com um discurso enganoso e negacionista, utilizando as redes sociais como nunca antes visto e agora com o suporte da inteligência artificial.