Nesta sexta-feira (17/4), o Diário Oficial da União anunciou que o Ministério da Saúde decidiu não incluir a vacina contra a meningite do tipo B no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças com menos de 1 ano.

Com essa determinação, a vacina permanece fora do calendário de vacinação infantil, apesar de ser voltada para o sorogrupo mais prevalente da meningite meningocócica no Brasil.

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Vacina experimental mostra potencial para prevenir vários tipos de câncerFoto: Freepik
Uso de testosterona sintética e anabolizantes pode causar insuficiência cardíaca e infertilidadeFreepik
SUS passa a oferecer vacina ACWY contra meningite para crianças de 12 mesesFoto: Divulgação
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SUS passa a oferecer vacina ACWY contra meningite para crianças de 12 meses





Imunização segue restrita à rede particular

Com a exclusão da vacina do SUS, os pais que desejam imunizar seus filhos contra a meningite B deverão buscar clínicas privadas. O preço por dose gira em torno de R$ 600 a R$ 750. Como o esquema vacinal exige entre duas e três doses no primeiro ano, além de uma dose adicional, o custo total pode ultrapassar R$ 2 mil.

Atualmente, o sistema público oferece vacinas contra outros sorogrupos bacterianos, como C e ACWY, porém não inclui a opção do tipo B.

Análise leva em conta custo e impacto

Essa decisão foi tomada com base nas avaliações da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que analisa novas vacinas considerando critérios como segurança, eficácia, impacto populacional e viabilidade econômica.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, que é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), esse processo envolve uma análise detalhada que não se limita apenas à relevância da doença. Fatores como taxa de incidência, gravidade dos casos, custo da vacina, capacidade produtiva e desafios logísticos são considerados — especialmente em um país com alta taxa natalidade.

Embora o sorogrupo B seja o mais comum em termos de casos, Kfouri ressalta que atualmente a incidência não é suficiente para justificar uma vacinação universal pelo alto custo envolvido.

Limitações orçamentárias influenciam decisão

O orçamento destinado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) é limitado e deve atender diversas demandas. Conforme Kfouri explica, decisões desse tipo demandam priorização: aumentar a cobertura das vacinas já existentes ou investir em novas vacinas que talvez tenham um impacto menor na saúde pública.

Neste cenário, o elevado custo da vacina contra meningite B se destaca como um dos principais entraves à sua inclusão no sistema público.

Possibilidade de uso direcionado

Apesar da não incorporação ampla, há possibilidade de utilização da vacina em circunstâncias específicas. Isso inclui indivíduos com imunidade comprometida ou durante surtos localizados onde o risco é maior.

De acordo com Kfouri, essa abordagem restrita poderia proporcionar proteção sem gerar os altos custos associados a uma campanha nacional abrangente.

A portaria também indica que essa decisão poderá ser reavaliada pela Conitec caso novas evidências científicas surjam ou ocorram mudanças significativas, como redução nos preços ou dados atualizados sobre o impacto da doença.

Quadro raro, mas de alta gravidade

A meningite causada pelo bacilo meningocócico representa uma infecção severa que pode evoluir rapidamente, resultando em morte ou sequelas graves, principalmente em crianças pequenas. A vacinação continua sendo a principal estratégia preventiva; no entanto, quanto ao tipo B, o acesso ainda está restrito ao setor privado.