Após a exumação do corpo do cão Orelha, uma análise pericial foi realizada, trazendo novos detalhes sobre o estado de saúde do animal antes de sua morte. Conduzido pela Polícia Científica de Santa Catarina em 11 de fevereiro, o procedimento revelou a presença de enfermidades antigas, descartando sinais evidentes de agressão direta nos ossos examinados. As informações são do g1.
Em um documento técnico de 19 páginas obtido com exclusividade pelo repórter Jean Raupp, da NSC TV, os especialistas informam que não foram encontradas fraturas ou marcas compatíveis com violência por terceiros nas estruturas ósseas analisadas. No entanto, ressaltam que a ausência de fraturas não descarta completamente a possibilidade de trauma craniano.
Durante a perícia, foi identificada uma região de porosidade no lado esquerdo do maxilar, indicativa de osteomielite, uma infecção óssea antiga sem relação com eventos traumáticos recentes. Também foi constatado acúmulo significativo de tártaro e doença periodontal avançada no animal, possivelmente relacionados ao quadro infeccioso, embora a causa exata não possa ser determinada devido à falta de histórico do animal.
Os peritos observaram vários osteófitos na coluna vertebral de Orelha, pequenas projeções ósseas associadas ao desgaste natural, compatíveis com espondilose deformante, uma doença degenerativa comum em cães idosos.
Devido ao avançado estágio de decomposição do corpo, a perícia se limitou à avaliação do esqueleto, impossibilitando a análise dos tecidos moles.
Especialista relaciona quadro à vida nas ruas
O professor José Francisco Bragança, do curso de Medicina Veterinária da Unoesc, explicou que a osteomielite pode surgir por infecção bacteriana ou ferimentos não cicatrizados, sendo comum em cães de rua. Ele também comparou a alteração na coluna do animal ao “bico de papagaio” em humanos, resultando em dor moderada devido à inflamação e calcificação dos ligamentos da coluna.
Bragança destacou que a falta de cuidados adequados e de alimentação balanceada pode ter contribuído para o agravamento das condições clínicas de Orelha, que vivia solto e dependia de cuidados informais.
Ministério Público pediu novas providências
Após a morte de Orelha, o Ministério Público solicitou esclarecimentos adicionais à Polícia Civil, apontando lacunas nas investigações. Foram requisitadas 35 novas providências, 26 atos investigativos e 61 diligências complementares, incluindo a exumação do corpo para reavaliação pericial. Um grupo de trabalho foi formado para analisar as novas informações e decidir sobre novas investigações, internação do adolescente suspeito ou arquivamento do caso.
O processo está em segredo de Justiça devido à presença de menores, conforme o ECA.
Relembre o episódio
Orelha foi atacado em 4 de janeiro e faleceu no dia seguinte, após receber cuidados de moradores. Vivendo na Praia Brava, era um cão comunitário que era protegido por diferentes pessoas. Um primeiro laudo indicou que a morte foi causada por um impacto na cabeça, levando o Ministério Público a solicitar uma nova perícia através da exumação.
