A Confederação Africana de Futebol oficializou uma mudança no desfecho da Copa Africana de Nações ao anular o resultado da final disputada em Rabat e declarar a Seleção Marroquina de Futebol como campeã. A decisão foi tomada pelo Conselho de Apelação da entidade cerca de dois meses após a partida e estabeleceu derrota de 3 a 0 por WO para Senegal, revertendo o placar original, que havia sido de 1 a 0 para os senegaleses na prorrogação.

A mudança ocorreu após recurso apresentado pela Federação Real Marroquina de Futebol, aceito com base no regulamento da competição. O órgão considerou que a equipe senegalesa infringiu o Artigo 82 ao deixar o campo sem autorização da arbitragem, o que resultou na aplicação do Artigo 84, que prevê derrota automática por desistência.

Com a nova definição, Marrocos chegou ao seu segundo título continental, repetindo a conquista de 1976, enquanto Senegal permanece com o troféu obtido em 2021.

O lance que originou a controvérsia ocorreu aos 52 minutos do segundo tempo, quando o jogo ainda estava empatado sem gols. Após revisão do VAR, a arbitragem assinalou pênalti para Marrocos em jogada envolvendo Brahim Díaz. Em reação, o técnico Pape Thiaw orientou seus jogadores a deixarem o gramado em protesto.

A interrupção durou cerca de dez minutos. Após o retorno, o próprio Brahim Díaz cobrou a penalidade com uma cavadinha, defendida pelo goleiro Edouard Mendy. A partida seguiu até a prorrogação, quando Pape Gueye marcou o gol que, naquele momento, garantiu o título aos senegaleses.

Antes da decisão final sobre o título, a CAF já havia aplicado punições disciplinares e financeiras em decorrência dos incidentes registrados na final, realizada no Estádio Príncipe Moulay Abdellah. Os danos ao estádio foram estimados em mais de 450 mil euros. A federação senegalesa foi multada em valor superior a 500 mil euros, enquanto a marroquina recebeu sanção superior a 250 mil euros.

Além disso, o técnico Pape Thiaw foi suspenso por cinco partidas por incitar o abandono de campo, elemento central para a reavaliação do resultado pela instância superior da entidade.

Durante o episódio, o atacante Sadio Mané permaneceu em campo inicialmente e, em seguida, dirigiu-se ao vestiário para convencer os companheiros a retomarem a partida. Em declaração posterior, ele descreveu a situação.

Com a decisão administrativa, o resultado esportivo foi oficialmente alterado, encerrando o processo e redefinindo o campeão da competição africana de seleções.