A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, vítima de uma intoxicação causada pela mistura de produtos químicos próximo à área da piscina de uma academia em São Paulo, levantou debates a respeito da manutenção em áreas comuns. Um dos principais erros é justamente a manipulação desses itens, sobretudo quando realizada em ambientes fechados.
Para esclarecer os riscos envolvidos e os cuidados necessários, o portal LeoDias conversou com o perito químico Guilherme de Lima e Silva, que alertou para os principais problemas quanto às atividades. De acordo com o especialista, os principais produtos químicos usados para a limpeza de piscina são o hipoclorito de cálcio ou de sódio, ácido tricloro e bromo para desinfecção, ácido cianúrico para estabilização do cloro e ácido clorídrico, bissulfato de sódio ou carbonato de sódio para ajuste de pH.
Os riscos da manipulação incorreta
Ele destaca que, mesmo isoladamente, esses produtos já apresentam riscos à saúde, a depender de fatores como a manipulação, concentração, via de exposição e tempo de contato. Por isso, o uso rotineiro e a manipulação química de fato são diferenciados: “Quanto maior a concentração do produto e maior a exposição do público, maior deve ser o nível de capacitação de quem manipula”, explica.
A manipulação, armazenamento e o controle químico de piscinas são regulados por normas técnicas e legislação sanitária. Guilherme acrescenta que o profissional escolhido depende do nível de complexidade e do tipo de piscina, mas que a atividade normalmente fica a cargo de químicos e os engenheiros químicos.
Erros comuns, mitos e verdades e o que fazer
O especialista listou erros comuns no processo de limpeza de piscina e manipulação de produtos químicos de forma geral.
- dosar no “olhômetro”;
- mistura de produtos;
- armazenamento inadequado;
- manipulação errada em local errado;
- ausência de profissional habilitado.
De qualquer maneira, é importante estar atento a possíveis problemas. Sinais como cheiro forte e irritante de cloro, ardência intensa nos olhos e garganta podem indicar condições incorretas na água da piscina. Já os sintomas físicos podem incluir tosse, falta de ar, aperto no peito, sensação de queimação na pele, tontura, náusea ou mal estar súbito.
Em caso de suspeita de intoxicação química, o primeiro passo é afastar a pessoa do local contaminado. Em caso de de contato com pele ou olhos, lavar em abundância com água corrente. Caso haja sintomas respiratórios, é fundamental manter a pessoa sentada, evitar esforço e observar a respiração. Acione a ajuda do SAMU ou Corpo de Bombeiros.
Mitos
- dar leite (não há neutralização dos produtos);
- provocar vômito (corre o risco de bronco aspirar ou queimar as vias aéreas;
- tomar qualquer remédio.
Verdades
- água corrente para lavar;
- ar fresco é essencial;
- sintomas iniciais são alertas, não ignore;
- atendimento rápido
“O principal alerta é: segurança em piscina não é só aparência da água. Água transparente não significa água pura”, finaliza o perito químico.
