Para quem cresceu nas décadas de 90 e 2000, a lembrança de sintonizar o SBT nas manhãs e tardes para se divertir com as peripécias de um simpático ser amarelo, manchado como um leopardo e possuindo uma cauda enorme, é bastante viva. É com essa nostalgia que “Marsupilami: Confusão a Bordo”, com sua estreia nos cinemas brasileiros programada para esta semana, chega ao público nacional sob a distribuição da Paris Filmes.

Dirigido por Philippe Lacheau, que também é o roteirista e protagonista, o filme se tornou um verdadeiro fenômeno nas bilheteiras europeias. Com mais de seis milhões de ingressos vendidos, ele se destaca como um dos maiores sucessos financeiros da recente história do cinema francês, mesmo enfrentando críticas negativas da imprensa especializada.

Veja as fotos

Cena de "Marsupilami"Crédito: Reprodução Paris Filmes
Cena de "Marsupilami"Crédito: Reprodução Paris Filmes
Cena de "Marsupilami"Crédito: Reprodução Paris Filmes
Cena de "Marsupilami"Crédito: Reprodução Paris Filmes
Cena de "Marsupilami"Crédito: Reprodução Paris Filmes
Cena de "Marsupilami"Crédito: Reprodução Paris Filmes

Leia Também

Famosos

Ary Mirelle leva os filhos para o cinema pela primeira vez em sessão privada

Colunas

Cinema brasileiro vive fase especial, mas desafio ainda é chegar ao público

‘Cultura’

‘Ryan Reynolds confirma novo filme de Deadpool após sucesso: “Vai ser ótimo”





‘Francisco Galvão ganha novo protagonista em filme com estreia prevista para outubro’



O filme foi assistido pelo portal LeoDias, que constatou a nítida divisão na obra: ela funciona bem como uma alternativa divertida e cativante para as crianças, mas falha ao tentar se tornar um longa voltado para o público adulto através de piadas insinuantes.

A trama não apresenta inovações e utiliza a clássica narrativa da comédia de erros. O funcionário David (Lacheau), em busca de salvar seu emprego em um zoológico em crise, aceita o desafio arriscado de contrabandear uma caixa enigmática vinda da América do Sul. Para disfarçar sua operação ilegal, ele convida a ex-esposa (Élodie Fontan) e o filho para uma viagem em um cruzeiro luxuoso que deveria ser uma reconciliação familiar.

O problema começa quando seu colega desastrado abre a embalagem e libera um filhotinho de Marsupilami no navio. O grande destaque do filme é indiscutivelmente a própria criatura. Ao invés de depender exclusivamente de efeitos visuais, o diretor escolheu usar um boneco animatrônico que interage com os atores na maior parte do tempo, reservando os efeitos digitais apenas para as cenas acrobáticas.

Essa decisão confere ao personagem uma presença física notável, além de uma pelagem e expressões que tornam o bichinho adorável e convincente. Sempre que o pequeno Marsupilami aparece na tela – seja utilizando sua cauda longa para escapar dos vilões ou realizando uma hilária referência ao famoso golpe “Kamehameha”, do anime “Dragon Ball Z”, – o filme brilha e conquista a audiência.

Roteiro oscila entre humor infantil e piadas inadequadas

Embora as imagens sejam atraentes e a dinâmica acelerada proporcione risadas fáceis aos pequenos durante seus 99 minutos, o roteiro criado por uma equipe diversificada padece de sérios problemas estruturais. O filme é promovido como uma aventura familiar adequada às férias escolares, mas os humoristas que acompanham Lacheau (conhecidos na França como Bande à Fifi) não conseguem resistir à tentação de incluir seu estilo característico repleto de besteirol juvenil.

A produção falha ao misturar o encanto voltado ao público infantil com temas escatológicos e insinuações sexuais desnecessárias, além de trocadilhos infames sobre partes íntimas que podem soar totalmente deslocados para os pais acompanhando suas crianças. Além disso, Marsupilami acaba sendo utilizado mais como um adereço secundário do que como peça central da narrativa, resultando em menos tempo dedicado à criatura do que seria esperado e desvirtuando a mensagem ambiental tão rica nas histórias originais criadas por André Franquin.

Avaliação final para o público brasileiro

Para os espectadores brasileiros, a experiência tende a ser mais positiva do que na Europa. A conexão com esse personagem não se baseia tanto nos quadrinhos belgas originais quanto na dublagem brasileira e no humor extravagante visto em clássicos da televisão nacional.

A equipe responsável pela dublagem faz um trabalho meticuloso ao adaptar referências culturais e trazer à tona a nostalgia esperada pelo público. No final das contas, “Marsupilami: Confusão a Bordo” é um filme agradável e divertido com um protagonista carismático, cumprindo bem sua função como opção leve e colorida para famílias nos finais de semana. É importante alinhar as expectativas: vá pela diversão proporcionada pelo personagem adorável, ignore as falhas no roteiro superficial e perdoe as tentativas mal direcionadas das piadas mais adultas.

Avaliação final: 6,5/10

‘;)