No futebol, a tática nem sempre se resume ao que se faz com a bola; muitas vezes, o foco é impedir que o adversário tenha espaço para jogar. Na terça-feira (23/6), em Boston, Gana optou por essa abordagem e conseguiu um empate sem gols contra a Inglaterra, que não conseguiu superar a sólida defesa africana. Essa estratégia foi uma marca registrada do treinador Carlos Queiroz, conhecido por sua habilidade em fechar espaços defensivos e que havia implementado uma filosofia semelhante durante a Copa do Mundo de 2018, quando estava à frente da seleção iraniana.

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Defesa impenetrável de Gana

O princípio de que quem se resguarda tende a sobreviver moldou o início do jogo. Desde o apito inicial, a Inglaterra teve maior posse de bola, tentando movimentá-la rapidamente e buscar brechas na defesa adversária. Nos primeiros momentos da partida, os ingleses dominaram a posse, mas sempre encontraram uma barreira: Gana já havia posicionado sua linha defensiva de forma compacta, com todos os jogadores empenhados em proteger seu gol.

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Kane e Carlos QueirozReprodução
Formação defensiva dos jogadores de Gana durante o confronto com os inglesesReprodução/CazéTV
Carlos Queiroz, técnico de GanaReprodução
Confronto entre Inglaterra x GanaReprodução/CazéTV
Formação defensiva dos jogadores de Gana durante o confronto com os inglesesReprodução/CazéTV

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(cont…)A única brecha na estratégia defensiva ocorreu aos 23 minutos do segundo tempo: Harry Kane, escapando da marcação densa, arriscou um chute cruzado que foi defendido com segurança por Asare.

No entanto, a chance mais clara para os ingleses surgiu apenas aos 40 minutos. O’Reilly cabeceou e acertou a trave após um cruzamento na área. A bola sobrou limpa para Kane, que tentou finalizar diretamente e acabou mandando longe do alvo.

Isto representou a melhor oportunidade que a Inglaterra teve na partida e também simbolizou toda a dificuldade encontrada ao longo dos quase noventa minutos em que Gana conseguiu neutralizar suas ações ofensivas. Quando finalmente houve uma abertura na defesa africana, faltou precisão no arremate.

A abordagem adotada em Boston não era algo inédito para quem assistiu à estreia ganesa anterior. Na vitória por 1 a 0 sobre o Panamá, Gana já havia demonstrado uma postura semelhante, priorizando mais a defesa enquanto aguardava uma oportunidade isolada para decidir.

Carlos Queiroz resumiu bem essa filosofia após aquela partida: “A ideia era vencer usando inteligência, permitindo que o adversário controlasse o jogo até encontrarmos uma chance para marcar”, explicou o técnico português.

No final das contas, o empate mantém a seleção inglesa no topo do Grupo L com quatro pontos. Gana ocupa a segunda posição também com quatro pontos, mas atrás no saldo de gols. Mais importante que o resultado foi a evidência clara da identidade tática criada por Carlos Queiroz ao longo dos anos: às vezes vencer não significa atacar mais; pode ser simplesmente impedir que o rival jogue.