Quando “Toy Story” estreou, assim como sua sequência inicial, a editora responsável por este texto ainda não havia nascido. Contudo, a influência da Pixar sempre esteve presente em minha infância, acompanhada pela alegria de ter brinquedos ao redor. Com o passar do tempo e a chegada das telas grandes, posso afirmar que minha geração talvez tenha sido uma das últimas a vivenciar os dois lados dessa transformação. Assistir “Toy Story 5” no cinema foi uma experiência que trouxe à tona sentimentos de nostalgia, curiosidade e até mesmo um certo tédio diante das mudanças que a troca de “brinquedos” proporcionou.
No filme, enquanto Jessie lutava para mostrar a Bonnie a importância de fazer amigos que a aceitassem como ela realmente é, a garotinha se deixava hipnotizar por uma tela brilhante repleta de possibilidades, perdendo completamente a noção do tempo. Gradualmente, os minutos se esvaíam mais rapidamente, os brinquedos eram esquecidos e, como espectadora que já não é mais uma criança, percebi como a narrativa espelha nossa realidade: vivemos imersos em telas e redes sociais, com conexões cada vez mais raras, até que o dia se transforma em noite e volta ao dia novamente.
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Até que… Que jogo é esse? Chato demais! Será que existe algo mais interessante por aqui? Ai, não quero mais brincar com isso! Vou ver o tablet.
<pA vaqueira Jessie tenta impedir que Bonnie entre nesse ciclo vicioso. No entanto, ela acaba enfrentando um desafio significativo ao revisitar seu passado na casa onde foi deixada por sua primeira dona, Emilly. Esse papel central da xerife era necessário após Woody ter decidido seguir seu caminho junto com Betty no último filme — embora ele também tenha seus momentos de destaque nesta nova produção.
No entanto, o enredo revela que mesmo com as melhores intenções e dedicando-se ao máximo, Jessie comete erros e enfrenta falhas em seus planos. Afinal, as escolhas dos outros são responsabilidade deles; essa lição pode inicialmente passar despercebida pelo espectador, mas depois provoca reflexão.
<pPor outro lado, Bonnie encontra-se em um dilema entre tentar se encaixar e ser aceita por suas amigas enquanto finge ser alguém diferente. Essa luta interna é um alerta para os pais que observam seus filhos passando por essas transformações e destaca a importância de ouvir as crianças e entender seus desejos.
Tudo isso ocorre sem perder o tom leve da trama. Ao enfrentar esses obstáculos, Jessie e sua turma divertem com diálogos rápidos e apresentam novos personagens que garantem risadas constantes na plateia. Desde o início até o fim da sessão, não faltaram gargalhadas vindas tanto de adultos quanto de crianças (e claramente dos brinquedos trazidos pelas pequenas).
O filme ainda reserva espaço para relembrar as hilárias disputas entre Buzz (ou seria Buzz’s?) e Woody; entretanto, o momento que conquistou aplausos quase unânimes veio com uma cena romântica muito aguardada entre a vaqueira e o patrulheiro espacial… Mas sem revelar spoilers!
No desfecho da história, há uma reviravolta totalmente inesperada que promete emocionar ainda mais quem já se deixou levar pelos sentimentos do filme. Esse momento representa um fechamento ideal para Jessie, conectando seu passado ao presente enquanto avança com Bonnie e sua nova turma de amigos.
Embora “Toy Story” seja considerado um filme voltado para crianças, será que nossa criança interior está realmente tão distante do que somos hoje? Afinal, quantos clássicos — como esta série da Pixar — foram relançados ou ganharam novas edições recentemente? Exemplos incluem “Sexta-feira muito louca”, “O Diabo Veste Prada” e “Percy Jackson”. Assim como Bonnie não quer deixar de crescer nem Jessie abrir mão do que é importante para ela, nós também buscamos avançar na vida mantendo viva a lembrança do nosso passado.
Avaliação: 10/10
