* Este texto contém spoilers

Para quem assistiu ao trailer de “O Fim da Rua”, a nova obra de ficção científica dirigida por David Robert Mitchell, pode parecer que o filme se resume a uma fuga de dinossauros em uma ambientação dos anos 1980. Contudo, essa é apenas uma parte da história, já que enquanto Anne Hathaway escapa de criaturas pré-históricas, um enredo muito mais complexo se desenrola.

Este longa, do mesmo diretor de “Corrente do Mal” e com produção de J.J. Abrams, mistura elementos peculiares: possui ares de “Sessão da Tarde”, apresenta um ritmo acelerado e traz momentos que flertam com o suspense. A sinopse revela que após um fenômeno cósmico inexplicável, a rua onde os Platt residem é arrancada do seu cotidiano e levada para uma realidade totalmente nova. Entretanto, antes que os dinossauros façam sua aparição, os maiores problemas da família estão dentro de casa.

Confira as imagens

Pôster do filme "O Fim da Rua"Divulgação: Warner Bros. Pictures
Trailer do filme "O Fim da Rua"Reprodução: YouTube/@WarnerBrosPicturesBR
Reprodução: YouTube/@WarnerBrosPicturesBR
Trailer do filme "O Fim da Rua"Reprodução: YouTube/@WarnerBrosPicturesBR
Trailer do filme "O Fim da Rua"Reprodução: YouTube/@WarnerBrosPicturesBR

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‘Cultura’
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Denise Platt, interpretada por Anne Hathaway, é uma escritora que luta contra sua própria insegurança, a ponto de não conseguir revelar sua profissão à família. Escondida no porão, ela dedica-se à escrita com o apoio da vizinha, senhora Huddleston. Por outro lado, seu marido Greg, vivido por Ewan McGregor, também oculta um segredo: ele finge ainda ter emprego enquanto na verdade se sustenta fazendo entregas de pizza. Essa falta de comunicação entre o casal gera um amor profundo que ainda assim parece ineficaz.

A situação se intensifica durante uma discussão entre Denise e Greg. Enquanto ela critica a falta de abertura dele, ele responde acusando-a de não saber ouvir. No meio dessa briga acalorada, seus filhos percebem que Starbuck, o cachorro desaparecido da família, retornou ao quintal. Assim começa uma nova fase na história: além das tensões conjugais, agora eles precisam lidar com dinossauros soltos pela cidade e um filho desaparecido.

A mudança drástica na narrativa permite que “O Fim da Rua” encontre um tom singular. O filme não ignora os conflitos familiares à medida que a ficção científica avança; ao contrário, utiliza essa aventura para intensificá-los.

A filha do casal é apaixonada por ciência e até menciona Carl Sagan em suas falas, ajudando a explicar a possibilidade de buracos de minhoca. Em um dos melhores momentos do longa, vemos a família reunida tentando entender sua nova situação; a câmera foca nos rostos dos personagens em close enquanto quem fala permanece no fundo.

A trilha sonora merece destaque também. Existem partes em que o filme minimiza os estímulos visuais para deixar espaço para sons externos criarem tensão. Essa abordagem é intencional; Mitchell tem raízes no terror e consegue fazer com que as aparições dos dinossauros gerem desconforto em contraste com o tom inicial leve da história.

Certa planta também desempenha um papel significativo nesse contexto temporal. A Pleuromeia no jardim da vizinha está intimamente ligada ao fenômeno inexplicável que afeta todos eles. A escolha científica é acertada já que essa planta realmente existiu durante o Período Triássico.

A partir desse ponto, os Platt começam a perceber que locais onde eventos estranhos ocorreram podem indicar aberturas para outros mundos. Isso inclui tanto a planta pré-histórica quanto um cocô gigante deixado por um morador mal-humorado.

A habilidade do filme em equilibrar absurdos com mistérios evita que ele se torne excessivamente sério. Há momentos em que Denise e Greg correm desesperadamente enquanto o caos acontece ao redor deles; em outras cenas, ela observa dois dinossauros passando e decide registrar esse momento pedindo para Greg posar para uma foto.

Parece uma piada passageira até que Greg acaba morrendo inesperadamente ao tentar salvar Denise de um ataque dinossauriano; essa cena não apenas aumenta o perigo como também reflete bem a trajetória emocional construído pelo ator ao longo do longa.

Ewan McGregor já interpretou papéis paternos diversos como nos filmes “O Impossível”, “Christopher Robin” e “Pastoral Americana”, sempre retratando pais dedicados à proteção ou recuperação familiar.

No entanto, quando se fala sobre maternidade forte na narrativa, Anne Hathaway brilha como Denise. Ela já assume grande parte das responsabilidades familiares antes mesmo da morte do marido; após esse evento trágico, sua personagem se transforma em uma figura decidida disposta a proteger seus filhos acima de tudo.

A cena culminante ocorre quando uma criatura serpentina ameaça seu filho; Denise enfrenta o animal armada com uma faca sem hesitar. O desempenho de Hathaway transmite perfeitamente a urgência materna diante da necessidade inadiável de proteger seu filho.

Após muitas peripécias emocionantes, finalmente eles encontram outra passagem temporal. Ao caírem numa piscina localizada nos anos 1980 pouco antes do evento catastrófico acontecerem, Denise começa a contatar vizinhos através de um telefone público alertando-os sobre procurar abrigo antes do fenômeno ocorrer. Alguns acreditam na advertência dela – entre eles Greg.

No reencontro familiar final entre Denise e seus filhos com Greg ainda vivo, as questões científicas perdem relevância diante da carga emocional daquela reunião tão esperada após tantas dificuldades comunicativas enfrentadas anteriormente pelo grupo.

Anos depois desse turbilhão familiar dramático vivido pelos Platt, Denise transforma suas experiências em um livro reconhecido mundialmente como aquele que ajudou salvar vidas durante o fenômeno catastrófico estudado por pesquisadores intrigados pelo caso inusitado ocorrido na cidade deles. Depois de tanta aventura envolvendo dinossauros e desafios emocionais intensos vividos pela família ao longo do filme… tudo culmina num simples churrasco familiar repleto de afeto!

“O Fim da Rua” aborda temas como frustrações profissionais, luto familiar e segundas chances sob uma perspectiva única voltada para aqueles que cresceram enfrentando as obrigações cotidianas paralelamente aos desafios pessoais complexos – desde cuidar dos filhos até encontrar propósito nas próprias vidas! O longa será lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13/8).

Avaliação: 9/10