O artista Jorge Filho, que é o vocalista da banda Rastapé, e sua esposa, Suella, estão denunciando a falta de assistência no tratamento da filha deles, Alice. A criança nasceu prematura, com apenas 31 semanas de gestação e está internada há sete meses. Embora tenha recebido alta médica para continuar o tratamento em casa, segundo os pais, as empresas responsáveis não forneceram a estrutura necessária para o atendimento domiciliar.
Após seu nascimento, Alice foi levada em estado crítico para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Ela teve problemas respiratórios e precisou de suporte ventilatório, além de ter sofrido uma parada cardiorrespiratória. Desde então, a bebê tem enfrentado várias complicações que resultaram em múltiplos procedimentos invasivos, diversas anestesias gerais e cinco transfusões de sangue.
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Estado de saúde da Alice:
Durante sua internação prolongada, Alice passou por um procedimento de gastrostomia para alimentação. Após essa cirurgia, ela desenvolveu um hematoma cirúrgico que evoluiu para uma grave septicemia. Além disso, começou a ter infecções intestinais e respiratórias ocasionadas por bactérias hospitalares, bronquiolite e episódios frequentes de insuficiência respiratória. A criança também teve acúmulo de líquido ao redor do pulmão e necessitou realizar uma punção pleural emergencial para drenar mais de 27 mililitros desse líquido.
Alice recebeu o diagnóstico da Síndrome de Kabuki, uma condição genética rara que afeta diversos sistemas do organismo e apresenta características faciais específicas, deficiência intelectual leve a moderada e atrasos no desenvolvimento. Ela também possui sling da artéria pulmonar esquerda, uma malformação vascular incomum que pode pressionar a traqueia causando sérios problemas respiratórios.
Além disso, foi diagnosticada com sequência de Pierre Robin, uma anomalia congênita caracterizada por uma mandíbula muito pequena (micrognatia), língua caída para trás (glossoptose), obstrução das vias aéreas superiores e hipoplasia cerebelar. Há suspeita também da Síndrome de Dandy-Walker (uma anomalia raríssima que afeta o cerebelo), disfagia severa, hipotireoidismo congênito e displasia broncopulmonar.
Tratamento:
Após mais de sete meses internada no Hospital Infantil Sabará em São Paulo, Alice recebeu alta médica para prosseguir com seu tratamento em casa. A Justiça já havia determinado liminarmente que toda a infraestrutura necessária para o atendimento domiciliar fosse disponibilizada.
Subsequentemente, outra decisão judicial estabeleceu a recuperação do plano de saúde e reconheceu as responsabilidades da Ampla Saúde, Gama Saúde e Qualicorp em relação à assistência à paciente e às obrigações relacionadas ao tratamento domiciliar. Contudo, os meios necessários para sua desospitalização ainda não foram totalmente fornecidos.
Enquanto aguarda essas providências, Alice já teve que retornar à UTI duas vezes. Em um desses momentos críticos, seu quadro respiratório se agravou significativamente e ela precisou ser intubada devido ao estado grave em que se encontrava. A família relata que essa longa permanência no hospital expõe a bebê aos riscos típicos das internações prolongadas.
Atualmente, Alice necessita ser alimentada via gastrostomia e requer monitoramento respiratório contínuo; oxigênio quando necessário; além de equipamentos essenciais como aspirador de secreções, Cough Assist e cateter nasal de alto fluxo. O tratamento demanda assistência multiprofissional com enfermagem disponível 24 horas por dia; fisioterapia respiratória quatro vezes ao dia; fisioterapia motora; fonoaudiologia; nutrição adequada; além do acompanhamento médico constante.
A Ampla Saúde publicou um comunicado informando sobre a desvinculação dos planos associados à Qualicorp desde 28 de junho: “Os beneficiários vinculados aos planos contratados através da Qualicorp perderão suas coberturas”, diz o texto oficial.
Em contato com o portal LeoDias , a Qualicorp destacou que sua função é administrar benefícios e afirmou que os serviços assistenciais referentes ao home care são responsabilidade exclusiva da Ampla Saúde.
“A Qualicorp ressalta que atua apenas como administradora dos benefícios sendo que tanto autorização quanto prestação dos serviços assistenciais são responsabilidades exclusivas da operadora Ampla Saúde conforme prevê a legislação vigente. Mesmo após o término do contrato com nossa administradora no dia 28 de junho passado, a Ampla Saúde continua responsável pela assistência conforme as normas setoriais e orientações do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Qualicorp está acompanhando o caso e permanece disponível para esclarecer quaisquer dúvidas da família”, esclareceu a empresa em nota oficial.
O espaço segue aberto para manifestações da Ampla Saúde , Gama Saúde , assim como Qualicorp sobre este caso específico. A família do cantor Jorge Filho está determinada a garantir o cumprimento total das decisões judiciais para permitir que Alice deixe finalmente o hospital recebendo todo suporte considerado essencial pela equipe médica em casa.
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