Nesta segunda-feira (8/6), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Essa decisão surgiu após o sistema de farmacovigilância do governo ter detectado eventos adversos graves e inesperados em indivíduos que receberam a imunização, incluindo duas mortes suspeitas que estão sendo investigadas.

A Butantan-DV, reconhecida por ser a primeira vacina de dose única com tecnologia 100% brasileira para os quatro sorotipos do vírus dengue, começou a ser aplicada no início deste ano, inicialmente focando nos profissionais da saúde. Conforme informações disponíveis, até o momento da suspensão, cerca de 500 mil doses já tinham sido administradas.

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Mosquito da dengueCrédito: Reprodução bvsms.saude.gov.br
Anvisa aprovou dose única de vacina contra dengue desenvolvida pelo ButantanCrédito: Divulgação Butantan
Mosquito da dengueCrédito: Raquel Portugal e Rodrigo Méxas – Fiocruz Imagens

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Durante uma coletiva realizada ao lado de representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que foram registradas 3.703 notificações referentes a sintomas semelhantes aos da dengue entre os vacinados (o que representa cerca de 0,7% do total). 

O alerta máximo que levou à suspensão foi gerado por um número ainda menor: 42 casos que apresentaram sinais graves (0,008%). Dentre esses pacientes, três tiveram condições extremamente severas:

  • Uma mulher de 39 anos precisou ser internada em UTI com choque seis dias após receber a vacina e conseguiu se recuperar;

  • Uma mulher de 48 anos apresentou sintomas intensos 19 dias depois da vacinação, desenvolveu meningoencefalite (comprometimento neurológico) e faleceu;

  • Um homem de 58 anos teve febre no quinto dia pós-vacinação e rapidamente evoluiu para choque refratário, não resistindo.

Embora esses casos sejam graves, Padilha destacou que ainda não há evidências conclusivas ligando a vacina às mortes. “Nós tivemos três casos graves […] Sem dados suficientes para determinar uma relação causal entre a vacina e os eventos”, afirmou o ministro, reiterando a confiança do Governo na competência científica do Butantan.

A decisão pela interrupção pegou muitos especialistas e cidadãos de surpresa. A vacina havia recebido a aprovação da Anvisa após cinco anos de rigoroso acompanhamento durante a fase três dos ensaios clínicos, que contou com mais de 16 mil voluntários no Brasil. A pesquisa original publicada na respeitada revista Nature indicou uma eficácia geral de 74,7%, alcançando até mesmo proteção total contra hospitalizações. O Ministério da Saúde esperava distribuir cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre deste ano.

Orientações para quem já recebeu a vacina

Com a suspensão imediata das distribuições para estados e municípios, o Governo Federal iniciará um rastreamento ativo das cidades para monitorar novos casos potenciais de reações adversas. Aqueles que foram vacinados nos últimos 21 dias devem manter-se tranquilos, mas atentos. 

É fundamental procurar atendimento médico imediatamente e informar à Secretaria Municipal de Saúde caso apareçam sintomas como:

  • Febre;

  • Dor abdominal intensa e persistente;

  • Vômitos frequentes;

  • Tontura ou sonolência extrema;

  • Sinais de sangramento ou desidratação.