Durante anos, a desafiadora missão de retratar nos cinemas a trajetória do maior showman da história gerou incertezas e se mostrou um verdadeiro campo minado. Entretanto, o cineasta Antoine Fuqua decidiu entrar na batalha e agora apresenta a tão esperada cinebiografia “Michael”, que carrega consigo enormes expectativas.
Com sessões especiais programadas para esta terça-feira (21/4) em diversos cinemas pelo Brasil, o filme oferece um espetáculo musical vibrante, sustentado por atuações notáveis. No entanto, a produção também enfrenta alguns obstáculos ao tentar limpar a narrativa da vida do protagonista.
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A performance marcante do jovem Juliano Krue Valdi, interpretando Michael Jackson, logo no início do filme, cativa o público. As cenas em que ele canta durante seus primeiros ensaios são verdadeiramente encantadoras.
A habilidade da direção ao escolher o elenco é evidente na conexão estabelecida entre o jovem ator e Jaafar Jackson. Este último, sobrinho do Rei do Pop e estreante nas telonas, inicialmente despertou dúvidas na indústria cinematográfica, mas provou ter nascido para esse papel.
A atuação é tão impressionante que transcende a simples imitação ou caricatura do ícone musical. Jaafar capturou a vulnerabilidade e genialidade do artista através de sua interpretação. Desde a tristeza expressa em seu olhar até sua dedicação nos bastidores dos projetos relevantes, o ator entrega uma performance corporal e vocal tão magnética que justifica completamente a ida ao cinema para vivenciar essa experiência.
A força da atuação de Colman Domingo em “Michael”
No papel desafiador do patriarca Joe Jackson, Colman Domingo traz uma profundidade dramática à narrativa. Sua performance é digna de aplausos e repleta de tensão e complexidade.
Domenigo retrata um homem consumido pela ambição, cuja rigidez moldou o talento do filho enquanto prejudicava sua saúde mental. Contudo, essa representação evidencia uma das lacunas da cinebiografia, que parece hesitar em abordar aspectos mais sombrios. Ao longo dos anos, as histórias sobre Joe foram muito mais cruéis do que as apresentadas no filme. A segunda parte da obra sofre com problemas no ritmo e transições temporais convenientes que parecem suavizar temas delicados.
Ainda que a narrativa busque uma sensibilidade maior ao retratar a vida do artista, sabemos que muitas controvérsias marcaram sua trajetória. Assim sendo, o tom visceral típico das biografias é substituído por uma abordagem cautelosa, evitando aprofundar-se em questões potencialmente polêmicas.
A cinebiografia preservou o legado musical de Michael?
A direção de Antoine Fuqua acerta ao abordar elementos cruciais da infância conturbada do cantor, como seu amor pelos animais e seu desejo por ajudar crianças. No entanto, fica a sensação de falta de explicações sobre temas mais sensíveis.
A atriz Nia Long desempenha o papel de Katherine Jackson, mãe do artista. Sua jornada levanta questionamentos sobre seu papel como mediadora na complexa relação entre pai e filho. O público está ansioso para ver se assuntos mais espinhosos serão abordados numa sequência futura.
Sensações cinematográficas únicas
Cineastas como Fuqua criam experiências que pedem uma visualização imersiva em grandes telas com som potente. Esta produção não é exceção; ela captura a magia singular que Michael Jackson exercia sobre suas audiências.
O projeto é grandioso e deve ser desfrutado com volume elevado para proporcionar uma verdadeira sensação de estar presente nas icônicas apresentações do Rei do Pop. Embora o roteiro evite explorar tempestades emocionais na vida pública e pessoal do artista, é inegável que este filme tocará profundamente os corações dos fãs.
Nota: 6,5/10
