A cantora Maiara, parceira de Maraisa, compartilhou recentemente que está lidando com a alopecia androgenética, uma condição crônica que causa a queda gradual dos cabelos. Ela explicou que chegou a perder quase todos os fios e precisou de tratamento médico para recuperar a saúde capilar. De acordo com Maiara, esse problema não é novo e vem sendo enfrentado há alguns anos. Para esclarecer sobre o que é a alopecia androgenética, como ela se manifesta e quais são as opções de tratamento, o portal LeoDias conversou com a dermatologista Dra. Marcela Mendes, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
A alopecia androgenética é um tipo de calvície caracterizado pelo afinamento progressivo dos fios e pela diminuição da densidade capilar. Embora afete ambos os sexos, é mais comum em homens devido à maior influência dos hormônios androgênicos. No entanto, mulheres também podem desenvolver essa condição, como já relataram outras personalidades públicas, incluindo Xuxa, Gretchen e Deborah Secco.
Ao explicar as características da alopecia androgenética feminina e como ela costuma se manifestar ao longo da vida, a especialista destacou que essa condição pode surgir em diferentes momentos após a puberdade.
“A alopecia androgenética feminina é a calvície que afeta as mulheres. Geralmente se inicia com um alargamento da linha capilar na região central e um afinamento dos fios, percebido pela paciente como uma área mais rala no couro cabeludo. Pode surgir em qualquer momento após a puberdade, com a prevalência aumentando com a idade, mas também pode ocorrer em mulheres jovens”, explicou a especialista.
Além dos fatores genéticos e hormonais, práticas estéticas frequentes também podem contribuir para a fragilidade dos fios, principalmente em pessoas que já apresentam afinamento capilar. A dermatologista alertou sobre esse impacto.
“Procedimentos como progressivas, alisamentos, alongamentos, e o uso frequente de lace causam danos aos fios e podem levá-los a quebrar. Dessa forma, os fios que já estão mais finos devido à alopecia se tornam ainda mais fragilizados”, afirmou.
A médica também explicou que é possível distinguir a queda de cabelo causada por razões genéticas daquela provocada por produtos químicos ou por tração excessiva dos fios, o que auxilia no diagnóstico correto.
“Na queda de cabelo por questões genéticas, o fio cai inteiramente da raiz, resultando em um couro cabeludo mais ralo, com menor densidade de fios e fios mais finos. Já a quebra causada por químicas e tração dos fios tende a quebrar o fio no meio, gerando fios partidos e com comprimentos diferentes”, explicou a Dra. Marcela Mendes.
Mesmo em estágios mais avançados, como o relatado por Maiara, é possível obter melhorias, desde que o tratamento seja iniciado e seguido de maneira adequada.
“Sim, mesmo em casos de alopecia androgenética mais avançada, é possível, se ainda houver folículos saudáveis, melhorar significativamente a cobertura capilar, engrossar os fios e impedir a progressão da queda com o tratamento correto”, destacou.
O tratamento requer disciplina e paciência, pois os resultados não são imediatos, conforme explicado pela especialista ao mencionar o tempo necessário para observar mudanças visíveis.
“Os tratamentos para alopecia requerem paciência, pois os resultados consistentes podem levar tempo e demandam disciplina para seguir as orientações recomendadas. Geralmente, em 3 a 6 meses já é possível perceber melhorias, mas é aconselhável seguir o tratamento constantemente por pelo menos um ano para avaliar sua eficácia”, esclareceu.
A Dra. Marcela Mendes também ressaltou que certos tipos de fios, especialmente os mais finos e naturais, necessitam de cuidados específicos durante o tratamento.
“Alguns tipos de fios podem ser mais frágeis e exigir cuidados adicionais, como hidratação regular, uso de produtos suaves, evitar calor excessivo, espaçar os intervalos entre procedimentos químicos e, especialmente, não combinar mais de uma química (como tintura e alisamento)”, orientou.
Por ser uma condição genética, a alopecia androgenética não tem cura definitiva, tornando necessário um tratamento contínuo para manter os resultados ao longo do tempo.
“O tratamento deve ser contínuo ao longo da vida para manter os resultados, pois, por ser genético, os fatores causadores vão persistir. A interrupção do tratamento pode levar à progressão da queda”, alertou.
A especialista também alertou sobre o uso de produtos que prometem resultados rápidos ou remédios caseiros, que podem agravar a situação.
“Dependendo dos ingredientes desses produtos e receitas caseiras, pode haver dano ao couro cabeludo, especialmente se contiverem substâncias irritantes, tóxicas ou inflamatórias que podem causar dermatite. Portanto, é importante consultar um médico antes de utilizar tais produtos”, advertiu.
O início precoce do tratamento é crucial para evitar estágios mais graves da doença. A especialista enfatizou que estar atento aos primeiros sinais faz toda a diferença.
“É recomendável iniciar o tratamento assim que o diagnóstico for feito, o mais cedo possível. Quando a paciente perceber que seus fios estão afinando e seu couro cabeludo está mais visível, especialmente se houver histórico familiar de calvície, é importante procurar um dermatologista para avaliar e iniciar um tratamento personalizado, aumentando as chances de preservar os folículos e evitar estágios avançados”, destacou.
Por fim, a Dra. Marcela Mendes explicou quando a queda de cabelo deixa de ser considerada normal e passa a exigir avaliação médica especializada.
“É normal perder até 100 fios de cabelo por dia, geralmente percebido durante a lavagem. Isso ocorre devido ao ciclo natural dos fios. Há um tipo de queda comum chamada eflúvio telógeno, em que uma quantidade maior de fios entra nessa fase simultaneamente por causa de algum estresse no organismo, levando a uma queda acima de 100 fios por dia. Esse tipo de queda é tipicamente autolimitado e não indica calvície. No entanto, se houver um aumento significativo na queda, é essencial consultar um dermatologista para diagnóstico e tratamento adequado. Além disso, é importante procurar um médico se houver rarefação visível, afinamento progressivo ou áreas de falhas no couro cabeludo”, explicou.
