Em cartaz na Unibes Cultural até 22 de março, a exposição Recortespor Cristiano Mascaro apresenta um conjunto de fotografias que percorrem diferentes momentos da trajetória de um dos nomes fundamentais da fotografia brasileira. A mostra reúne imagens analógicas e digitais ampliadas que constroem um olhar consistente sobre São Paulo, cidade que ocupa papel central na obra do fotógrafo e na formação de sua memória visual.

Formado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, Mascaro voltou-se para a fotografia ainda durante a graduação, após o contato com a obra de Henri Cartier-Bresson. Hoje, aos 81 anos, com uma carreira consolidada no Brasil e no exterior, o fotógrafo mantém uma produção contínua voltada à observação da cidade, de seus espaços arquitetônicos, seus habitantes, e de suas transformações ao longo do tempo.

Entre a cidade vista e a cidade em detalhe

As imagens reunidas em Recortes atravessam locais emblemáticos da paisagem paulistana, como a Avenida São João, o Elevado Presidente João Goulart (Minhocão), o Viaduto Eusébio Stevaux e a Maternidade Filomena Matarazzo. Em algumas fotografias, esses espaços aparecem em vistas amplas, evidenciando a escala urbana e a organização arquitetônica; em outras, surgem fragmentados, em recortes de fachadas, estruturas, sombras e geometrias.

Essa alternância entre o panorama e o detalhe é uma característica central da obra de Mascaro. Seu trabalho articula rigor formal, atenção à arquitetura e observação do cotidiano, construindo uma leitura da cidade que privilegia a permanência dos espaços e suas marcas no tempo.

Com curadoria de Luiz Armando Bagolin e Flávio Cohn, a exposição estabelece um diálogo entre diferentes fases da produção do fotógrafo, evidenciando como a fotografia urbana acompanha tanto as transformações de São Paulo quanto as mudanças nas tecnologias de imagem. A seleção propõe uma reflexão sobre a cidade como território histórico, arquitetônico e simbólico, continuamente reinterpretado pelo olhar fotográfico.

Sobre o artista:

Cristiano Mascaro é formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Iniciou sua carreira como repórter fotográfico da revista Veja, onde realizou diversas reportagens no Brasil e no exterior. Foi professor de fotojornalismo na Enfoco, escola de fotografia, e de comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos. Entre 1974 e 1988, dirigiu o Laboratório de Recursos Audiovisuais da FAU/USP. Em 1986, obteve o grau de mestre pela USP e, em 1990, recebeu a Bolsa Vitae de Artes.

Realizou diversas exposições no Brasil e no exterior, com fotografias integrando coleções particulares e de museus. Tem trabalhos publicados na imprensa e em livros. Em 1992, recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo com o ensaio O jeito brasileiro de viver e morar e, em 1999, com o ensaio Sala dos milagres. Em 1995, obteve o grau de doutor pela USP, com nota máxima e menção de louvor, apresentando a tese A fotografia e a arquitetura.

Em 2006, participou, como arquiteto homenageado, da 6º Bienal de Arquitetura e Design, apresentando a exposição O Brasil em X, em Y, em Z. Em 2007, recebeu o Prêmio Especial de Fotografia Porto Seguro pelo conjunto de sua obra. Em 2015, foi laureado pela Associação Paulista de Críticos de Arte por seus trabalhos de documentação urbana. Atualmente, atua como fotógrafo independente, dedicando-se a projetos pessoais.

Sobre os curadores:

Luiz Armando Bagolin é livre-docente em História da Arte Brasileira e doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). No Programa de Pós-Graduação do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), coordena pesquisas sobre teorias da arte, da Renascença à produção brasileira. Foi diretor da Biblioteca Mário de Andrade, além de curador de diversas exposições e do Prêmio Jabuti. Suas publicações, que articulam arte, linguagem, retórica e filosofia, consolidam-no como um dos estudiosos mais relevantes do campo no país.

Flávio Cohn  é galerista e Diretor de Arte Contemporânea da DAN Galeria, em São Paulo. Filho dos fundadores da galeria, Gláucia e Peter Cohn, em 1985 criou o Departamento de Arte Contemporânea, abrindo espaço para artistas brasileiros e internacionais no circuito de arte contemporânea.

 

Sobre a Unibes Cultural

A Unibes Cultural é um centro de cultura, inovação e impacto social, localizado no coração de São Paulo. Criada em 2015, é uma iniciativa da Unibes – instituição com mais de um século de atuação dedicada ao acolhimento, empoderamento e desenvolvimento humano. Com uma programação acessível e multidisciplinar, a Unibes Cultural conecta arte, conhecimento e transformação, a partir de três pilares: Raízes Judaicas; Expressões Culturais; ESG e Cultura.

 

Serviço:

Exposição Recortes por Cristiano Mascaro

Curadoria: Luiz Armando Bagolin e Flávio Cohn

De 25 de janeiro a 22 de março de 2026. 

Quarta a sábado, das 12h às 20h (última entrada às 19h) 

Domingo, das 10h às 19h (última entrada às 18h)

Local: Unibes Cultural

End.: Rua Oscar Freire, 2500 | São Paulo – SP | ao lado da Estação Sumaré do metrô (Linha 2 – Verde)

Classificação indicativa: livre

Entrada gratuita

Ingressos: FEVER  

Mais informações: Unibes Cultural 

Célia Alves
99429-8650
[email protected]